Para mim poesia é
sinônimo de liberdade, liberdade que liberta e liberta-se.
Ou seja,
libertar-se dos receios, das inibições, das convenções, dos anseios, das
doutrinas, dos mundos frios;
Libertar os
sentimentos, os pensamentos, os sonhos, a inocência e o desapego – para
apegar-se ao belo e ao sublime.
E ter liberdade
significa extravagar e extravasar, ousar, experimentar – sorrir sozinho,
dormindo; chorar sem medo, falar de amor e de saudade, desacorrentadamente.
POR PASTOS LIVRES
Não deixe mais teus medos
Não deixe mais teus medos
Presos nos olhos.
Não
fique mais acuado
Pare
de correr
De abaixar-se cansado
Feito frango fugido.
Não
tema
Tenha
esperança além
Das longas horas vazias
Tudo
passa e logo a lua
Renascerá sorrindo
Tudo
passa e logo a chuva
Voltará colorindo.
Não
esconda mais o rosto
Nas mãos aflitas
Esteja
preparado para as surpresas
Pare
de vagar devagar
Debaixo do sol poeirento
Feito cutia assustada.
Confia
em ti mesmo
Busque
os dons magistrais
E
voa por pastos livres
Adeja ao fresco ar
Voa
na asa do grande sonho
Sob o suspirar da enorme terra
(do livro O Pormenor)
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